domingo, 1 de junho de 2008

Está faltando pulso firme professor!



Estava tentando passar alguns exercícios de Língua Portuguesa na lousa numa classe de quinta série numa escola da periferia na cidade em que moro, enquanto isso, alguns alunos quase derrubavam a sala com tanta bagunça que faziam. A diretora que ficava perambulando a maior parte da manhã pela escola, e como gostava de surpreender os professores eventuais, entrou em minha sala e disse: “Professor, tem que ter o pulso firme e não permitir que isso aconteça!” Isso ela disse na frente dos alunos. Ela me deu a bronca e não ficou ali pra ver o que aconteceu depois. Realmente, se alguém entrasse naquele momento na sala de aula daria um flagrante numa cena muito comum hoje em dia na maioria das escolas públicas: a total falta de autoridade dos professores. Porém, há muito que se refletir sobre isso.


Um professor na cidade de Cianorte, cidade satélite da capital federal, foi agredido por um aluno ao final do período de aula precisando ir direto para o pronto socorro. Pegou licença dizendo que nunca mais poria o pé de novo numa sala de aula, isso depois de mais de quinze anos na profissão. Tenho um colega, professor também, que é chamado de todos os palavrões conhecidos por alguns alunos dentro da classe, que acho melhor não descrevê-los aqui. Ele tem um conteúdo excelente de conhecimento para transmitir aos seus alunos, mas isso, não é possível!

Numa escola de periferia na cidade de Jandira, interior de São Paulo, uma professora foi surpreendida com um “aluno” com uma arma escondida na cintura debaixo da camiseta. Entrei numa classe uma vez substituindo uma professora com os olhos vermelhos de tanto chorar, foi agredida verbalmente por três alunas adolescentes. Neste mesmo dia, outra professora foi embora abandonando a classe no meio da aula, pois impossível se tornara ficar ali com tanta bagunça e gritaria.
Bem, eu poderia ficar aqui citando casos e mais casos, mas isso não é necessário, pois histórias assim já não sensibilizam mais ninguém.

Só que a atitude da diretora da escola incomodou fazendo-me refletir nestas histórias todas: Onde está faltando autoridade? Qual o papel do professor na escola? A escola deveria continuar aceitando adolescentes que vão à ela sem realmente estarem ali com o propósito de estudarem? E os pais? Qual a culpa deles? E a direção da escola? Será que não falta autoridade neles também perante a comunidade onde está inserida, começando pelas diretoras? As diretoras das escolas não deveriam administrar uma escola dando a ela, aos alunos e aos professores condições mínimas de ensino-apredizagem em seu meio?

Primeiro que, a função da escola é ensinar a ler, escrever e transferir conhecimentos, e isso, num ambiente de silencio e concentração. Este é o papel básico da escola. Os professores são os instrumentos humanos que ela possui para poder fazer isso. Educação de fato, ou seja, respeito e boas maneiras, não se começa aprendendo na escola e sim na casa. Entenda aqui, a palavra “educação” como sendo as boas maneiras que aprendemos de nossos tutores, sejam os pais ou não, quando ainda estamos usando fraldas e mamando numa mamadeira, e que depois, conforme vamos crescendo, uma varinha de marmelo nos ajudavam a fixar algumas regras de comportamento perante os adultos. Lembram disso? Em minha época, quando criança, as crianças não abriam a boca quando adultos conversavam.

As diretoras das escolas deveriam exigir das autoridades locais um policial armado no portão de cada escola permitindo que só alunos que querem aprender entre em seu território. Pois os bons alunos são prejudicados de fato, por aqueles garotos e garotas que não querem nada com o ensino e que vão a escola porque encontra na sala de aula um ambiente “protegido” para algazarra. Isso sem mencionar o problema de tráfico de drogas dentro das escolas. Pais de bons filhos deveriam exigir a mesma coisa da direção da escola. Professores deveriam se recusar a darem aula quando o ambiente de trabalho não for favorável ao ensino/aprendizagem. Pais e alunos que não aceitassem isso, não teriam o direito de ter seus filhos dentro da escola. Alunos indisciplinados deveriam ser suspensos imediatamente pela direção da escola. E caso fosse reincidente, a escola não deveria aceitá-lo mais ali. É o principio simples da laranja estragada numa caixa de laranjas boas

Creio firmemente que se estas pequenas exigências fossem levadas à pratica, uma melhora considerável veríamos acontecendo no Ensino Publico. Não adianta o governo gastar milhões e milhões de reais em salários com professores e funcionários das escolas e milhões e milhões de reais com material didático, se a ordem e autoridade não forem restabelecidas dentro de seus muros.

Há muito que se fazer quanto a isso, mas isso já seria um bom começo.
Ou então transformem as escolas em presídios e ficará resolvido o problema da superlotação.
O resto é enganação!

Reinaldo Amaral de Almeida
Letras e Pedagogia

2 comentários:

Anônimo disse...

realmente é importante mudar a legislação escolar.A violência nas escolas estão passando dos limites.Dou aula para crianças de 9 anos e tenho alunos difíceis que não me respeitam.Tive casos na escola de menores infratores que estudavam junto com os outros e não deixavam a classe em paz.Outros, que devido problemas gravíssimos na família não conseguiam se concenrar e não faziam nada, resultado, não consegui dar aula o ano inteiro.

Anônimo disse...

Concordo plenamente! Quem não está na escola para estudar deveria ir para um centro sócio educativo. Eu me formei para ser professora e não agente carcerário ou coisa do tipo. Faço minhas as palavras do professor