quinta-feira, 29 de maio de 2014

Série: As sete igrejas do Apocalipse e suas relações com as igrejas nos dias de hoje.

As igrejas no Apocalipse não eram denominacionais. A configuração neotestamentária era muito diferente do que atualmente presenciamos em nossos dias. A igreja não estava dividida em grupos e subgrupos organizacionais da mesma maneira que encontramos hoje. As divisões eram simplesmente uma necessidade geográfica e a única divisão reconhecida por Jesus ali eram as divisões de localidade das "polis", ou seja, das cidades, de maneira que temos ali sete cidades e não sete grupos denominacionais. Esse entendimento é muito importante na análise das implicações da palavra "anjo" nessa porção específica do Apocalipse.
Hoje em dia as igrejas locais numa única cidade estão divididas em grupos e subgrupos denominacionais. As pessoas não se reúnem em torno da doutrina dos apóstolos e dos ensinamentos de Jesus. A motivação denominacional é por razões várias e não bíblicas o que em muito relativizam a mensagem do "anjo-anjo". O anjo-homem está mais refém da necessidade de obedecer a configuração de sua denominação, do que seguir e obedecer a mensagem do anjo-anjo que atua sobre a cidade.
Outra grande diferença era a ausência de templos como hoje conhecemos e chamamos de "igreja". Na mente de Jesus, igreja é gente, é povo, são pessoas. Os apóstolos também só pensavam em igreja dessa forma. A igreja então não possuía "templos". O povo se reunia em torno das doutrinas, dos ensinamentos e dos testemunhos dos apóstolos. A comunhão não era coisa de "domingo à noite". A própria situação histórica de grupo perseguido e marginalizado promovia o amor e a união entre eles.

Considere também o fato que nos dias de João em Patmos e antes dele não existia ainda um "Novo Testamento". Eles se serviam dos pergaminhos (que eram caros!), das cartas dos apóstolos que circulavam de cidade em cidade e de algumas versões biográficas de Jesus escrita por alguns apóstolos. Ou seja, a necessidade de "sincronismos" com as realidades espirituais e a busca de uma palavra de revelação que estivesse em acordo com os ensinos dos apóstolos justificava o envio das cartas de Jesus às igrejas! Não havia os relativismos denominacionais, doutrinários, culturais e personificantes que existem hoje!
Por isso, quando alguém se auto-afirma como anjo da igreja pela necessidade de se impor sobre a sua congregação, mais numa perspectiva autoritária do que autoridade espiritual, não sabe o que está fazendo e como está se colocando numa posição perigosa diante de Deus, dos anjos e dos homens.
Reinaldo de Almeida

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