terça-feira, 15 de julho de 2008

O arrependimento do filho pródigo



Já parou para pensar no arrependimento do filho pródigo na parábola por Jesus contada no capítulo 15 :11 - 32 de Lucas?

Suas motivações foram genuinamente sinceras? Ela se encaixa dentro de nosso padrão sistematizado do significado de estar arrependido? Houve ali um remorso por parte do filho pela tristeza que havia causado no coração do pai ou ele pensou em si mesmo e nas condições em que estava por haver abandonado a casa do pai?


Qual foi seu primeiro pensamento em cair em si? A loucura de haver deixado o amor do pai ou o fato dos empregados que trabalhavam para o pai estarem vivendo melhor do que ele?
Ele pensou no pai ou no contraste de sua situação atual com aquela vivida antes de ter deixado a casa do pai? Será que se ele não tivesse comendo junto com os porcos, em completa miséria e fome, e se o dinheiro não houvesse acabado ele teria pensado no papaizinho a quem havia abandonado? Se a riqueza adquirida por herança lhe desse mais tempo de autonomia e independência teria ele voltado?

Acredito que do começo ao fim da parábola Jesus enfatiza o coração gracioso do Pai.
A Graça do perdão é muito maior do que nossas concepções das condições exigidas para a obtenção do perdão de Deus.
Gostamos de determinar o que é perdão válido para Deus e o que não é, mas a parábola do filho pródigo destrói nossas percepções de arrependimento válido. A religião (a igreja evangélica) determina o que significa perdão para Deus mas a parábola do filho pródigo nem isso nos incetiva a julgar o que é realmente estar arrependido.

Os muito anos de igreja evangélica com sua interpretação sobre a parábola do filho prodigo impede-nos de ver isso!

Pois então vejamos:

Segundo a igreja evangélica a "casa do Pai" na parábola do filho pródigo é estar frequentando a igreja, ou seja, fazendo parte de uma denominação, frequentando seus cultos dominicais e se submetendo aos ritos, liturgias e regulamentos de determinada igreja ou pastor. Nada mais longe da verdade, pois naquele momento em que Jesus contava a parábola nem igreja existia e muito menos igreja-denominação, igreja-templo! Essa idéia não norteava a cabeça de Jesus ao contar esta parábola.

A "casa do pai", segundo Jesus, era estar com Deus, em comunhão com ele! Só isso! Tudo isso!

A igreja evangélica gosta de enfatizar a desgraça do filho mais novo, pois tal ênfase reforça a idéia de frequentar e assumir compromissos com a igreja-denominção, igreja templo, mas na parábola do filho pródigo a idéia inicial de Jesus foi enfatizar a não-graça e a desgraça do filho mais velho que se assemelhava aos dos fariseus, em decorrência de Jesus estar na companhia de pecadores, conforme os versículos 1 e 2 do inicio do capítulo, só que os pregadores evangélicos fragmentaram este episódio!

As desventuras do filho mais novo servem aos interesses da igreja-denominação, igreja -templo e oferece um padrão estético do que é "estar com Deus", além disso, faz parte da natureza humana ter prazer com as desgraça dos outros dando-nos a falsa segurança de que se "ele caiu e se desviou, graças à Deus, isso não aconteceu comigo".

Na parábola do filho pródigo, segundo Jesus, o filho mais velho estava tão perdido quanto aquele que saiu de casa, e o que é pior, o fato dele estar o tempo todo na fazenda com o pai e ser um "íntegro servo do pai" não lhe dava acesso á um coração cheio de graça, pelo contrário, a perdição dele era pior, pois seu coração estava cheio de amargura do pai e ódio pelo irmão, além do mais, ele só não saía de casa por causa do medo de perder os benefícios, o conforto e as mordomias dada pelo pai; Ele só servia o pai pelo interesse do que o pai podia lhe proporcionar! Sua perdição era maior!

Só que no discurso evangélico este tipo de interpretação enfraqueceria o apêgo do povo pela igreja-templo, igreja-denominação!
O povo não consegue servir à um Deus que não possui templo, liturgia, lugar e hora marcada. É a religião.

Não somente na parábola do filho pródigo, mas tambem das dracmas, da ovelha perdida e do administrador infiel, a graça amorosa do coração de Deus é enfatizada em toda sua plenitude, fugindo das possíveis lógicas da religiosidade humana, inclusive numa matematica sem lógica muito bem ilustrada na parábola da dracma , da ovelha e do administardor infiel, tudo isso contada na mesma ocasião, para o mesmo grupo de ouvintes e com a mesma intenção de Jesus impactar os ouvintes e de não nos deixar sistematizar e nem julgar quem pode e quem não pode estar arrependido!

Reinaldo de Almeida

2 comentários:

clau disse...

sabe o que penso amigo? que vou estar lá quando vc ministrar este texto.É exatamente assim como descreveu que penso a respeito da parabola,olho pra ela e vejo o que quer me dizer a mensagem da cruz,a suficiencia dela.O q me enteressa nela é muito mas o q me diz o pai ,em como ele nos constrange com seu amor incondicional,porq mesmo q o filho não tivesse tido o subto arrependimento, nada mudaria em relação aquele pai,aprendi que por muitas vezes o pai por amor simplesmente deixa que seu filho vá,e deixa que passe por experiencias sejam elas boas ou não,por amor ele deixa q experimente dores ,fome e principalmente a ausencia do pai,falo isso porq me considero como um desses tantos prodigos que estão por ai.Quando imagino Jesus se doando por todos os milhares de prodigos que ainda estavam por vir,me vejo ali,te vejo ali, diante da cruz de cristo.
um forte abraço clau.

Anônimo disse...

Eu n sei se ta falando mais mal do q a igreja evangelic pensa do que da parabola q tipo de pastor fall mal de outra igreja