quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Dos que mijam nas paredes


 “Assim que começou a reinar, logo que se assentou no trono, eliminou toda a família de Baasa, não poupou uma só pessoa dos que mijam nas paredes, fosse parente ou amigo.”
I Reis 16:11

Tenho certeza que o título desse texto chamou a atenção de muita gente. Mais surpreso ainda, é que essa expressão chula (…) “dos que mijam nas paredes” (…), se encontrar num episódio na Bíblia, nos períodos que os reis de Israel faziam o que dava na cabeça. Pois é, usei também uma expressão chula e popular para expressar esse período medíocre da história de Israel. A Bíblia está carregada dessas expressões. Quando Deus desejava expressar e deixar uma situação bem clara para o povo, fazia uso dessas expressões.

Só que as versões mais recentes e mais modernas das Bíblias hoje, usam um eufemismo, ou seja, eufemismo é uma ferramenta linguística usada para transformar uma expressão chula, feia e patética, numa palavra mais bonita, simpática e complicada afim de amenizar a situação horrorosa, feia e patética, numa situação não tão feia, não tão medonha e não tão patética, pelo menos em palavras. Ou seja, o uso das palavras podem ser alteradas afim de dar a entender que o quadro não é tão feio do jeito que pintam!
Veja só, usei mais uma expressão chula no final da frase para poder fazer o leitor entender o que eu gostaria de falar, expressar e explicar.
Pois então, o chulo, é uma ferramenta eficaz na linguística. Através do chulo eu posso deixar claro e irônico o que eu gostaria que as pessoas entendessem e isso, das mais simples até as mais requintadas das pessoas, poderem entender.
Acho bonito que o texto bíblico faça uso do chulo, do populismo, da hipérbole e das metáforas para que as pessoas possam entender a palavra de Deus.
Só que os versados, revisores, exegetas e tradutores atuais das novas Bíblias que estão sendo lançadas no mercado para o público leitor, não deveriam alterar e modificar o texto bíblico na tentativa de deixá-lo mais “polido” para as pessoas. Deus deseja que todos, repito, todos entendam as suas palavras, desde o mais requintado até o mais ignorante dos homens. O chulo, muitas vezes causa um maior impacto na mente e no coração daquele que lê a Bíblia!

Por exemplo, esse mesmo versículo que diz de “todos os que mijam nas paredes”, na Nova Versão Internacional da Bíblia, foi traduzido assim: “(...) pessoa do sexo masculino... Admitamos, o impacto não é o mesmo!? A declaração ficou empobrecida pela polidez daqueles exegetas que traduziram esse versículo.
Imagine esse mesmo versículo sendo lido por alguém que está preso, por um bandido dentro de um presídio que tem a oportunidade de ler a Bíblia? Qual das duas expressões chamariam mais a atenção dele?
A linguagem chula quando aplicada com sensatez, e é isso que as versões mais antigas das Bíblia mais têm, prefere o chulo em vez do polido para poder se expressar.
Talvez essas mudanças linguísticas tenham mais a ver com a nossa falsa noção de santidade do que com o requinte das nossas palavras. Achamos que o chulo possa “ofender” a Deus segundo nosso espírito crítico e santarrão. Ora, a santidade de Deus jamais será afetada pelo uso das palavras chulas, muito pelo contrário, uma situação patética, só se torna patética diante de Deus e dos homens quando ela é demonstrada em toda a sua patetice pelo próprio Deus.
Chamar o bêbado, de alcoólatra, não melhora sua situação por si só!
O dependente químico e o drogado são as mesmas realidades.
A prostituta, de garota de programa, não reduz o seu sofrimento...e por aí vai.

Lamentavelmente, muitos textos chulos na Bíblia estão sendo removidos pela nossa falsa noção de santidade, pelo nosso politicamente correto, para tornar sua leitura mais polida e requintada, mas, nessas mudanças, os textos bíblicos se tornaram mais pobres, fracos e menos interessantes. Poderia mostrar um monte de textos bíblicos que foram alterados do seu sentido original e como foram ditos e escritos, para o politicamente correto, mas poderia ofender a santidade de alguns, mas paro por aqui, sei que para um bom entendedor essa explicação basta!


Reinaldo de Almeida

Nenhum comentário: