quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Quem eu era antes de conhêço-Lo

“Quem eu era antes de conhecê-Lo”

Mais uma noite de trabalho em vão!
Mais uma manhã de frustração!
Só Deus sabe o que eu estou sentindo por dentro de mim!Estou cansado. Não vejo esperança no meu futuro e no futuro da minha família, minha cidade e no meu país.
Na verdade não vejo esperança para este mundo; nada disso faz sentido.A vida deve ter um significado que esteja alem deste barco, destas redes e destas traias de pesca.
Só que eu tenho contas pra pagar, tenho um pesado tributo a pagar a estes imundos romanos para que eles me deixem em paz, a mim e a minha família.
Só que nesta noite não pescamos nada. Como vou pagar as minhas contas?
Coitado do meu irmão André; gritei tanto com ele nesta noite. Não sei como ele ainda esta comigo!
Se estivesse no lugar dele, eu não estaria mais aqui. Nem eu me agüento!Ele vive dizendo para eu ter esperança.
Ele vive dizendo que vai surgir alguém em quem acreditar. Ele vive enchendo minha cabeça, com essa história de Messias, Messias e Messias... Ficou pior depois que ele conheceu aquele sujeitou em Jerusalém, como era o nome dele mesmo?

André anda acreditando que ele seja o messias. Messias? Será que está história de Messias é verdade? Droga! Só sei que eu tenho contas para pagar, uma família para cuidar.
Mas será o possível? (...) Foi só pensar n’Ele que o sujeito parece que vem vindo pra cá ...... ! E agora ele traz um bando de gente com ele? Esse pessoal não tem o que fazer não? Aliás, será que só eu é que trabalho por aqui??? Já me bastava uma noite perdida como essa e agora aparece este bando de gente sem ter o que fazer??!! Cadê o André??? Mas será o possível que ele já se ajuntou ao povo e vai me largar sozinho aqui com estas redes todas sujas? Será que este Nazareno não tem família para sustentar? Filhos para criar? Fica ai enchendo este povo de ilusão... Fica aí com este palavrório todo... Que só enche as cabeças das pessoas, mas não enchem seus estômagos...!
(André volta em direção ao barco de onde Pedro está; volta com um enorme sorriso no rosto e com um brilho incomum nos olhos).
- Pedro! Jesus está precisando de um de nossos barcos para poder continuar falando a esta multidão, eu disse à ele que pode usar aquele menor ali!
Agora que não vou embora tão cedo!(Pedro) Este homem parece que gosta de ensinar e ficar falando – André é um iludido mesmo! Coitado, é um ingênuo! Quantos messias mentirosos já ouviram falar nestas bandas daqui! Esse é apenas mais um enganador! Se ele fosse o Messias mesmo, ele me ajudaria a pagar as minhas contas! Se ele fosse o Messias mesmo ele teria um mínimo de compaixão de mim nesta noite inteira perdida; de trabalho perdido, sem conseguir pescar um peixe si quer. Não apanhamos um peixinho e agora não vejo a hora deste homem parar de falar para eu poder ir para a casa descansar...
Ainda bem... Parece que o povo está indo embora... Acho que ele parou com essa bobagem toda de Reino de Deus... Que Reino de Deus nada! Este aqui é o reino de Cézar!
(André volta correndo de novo em direção a Pedro).- Pedro! O Nazareno ordenou que voltássemos para o alto mar com as traias e todas as redes que tivermos aqui conosco e para levarmos outros barcos também, inclusive o de João e Tiago que estão ainda ali! Ele disse para não voltarmos para a casa ainda. Ele disse também que depois da pesca quer conversar conosco!
(Jesus se aproxima...)
- Olá Pedro! Tudo bem? Lance as redes para o lado direito do barco e depois nós precisamos conversar...
- Senhor nós passamos a noite inteira pescando, mas não apanhamos nada! Mas já que o Senhor está mandando eu vou acreditar em sua palavra!
(Eles entraram no barco e Jesus fica ali na praia observando... Pega um pedaço de graveto e começa a riscar no chão alguma coisa).Trinta minutos se passam... Quarenta minutos agora... Então ouve-se os berros de Pedro gritando a todos seus colegas pescadores, pedindo ajuda para recolherem a enorme quantidade de peixes que conseguiram capturar. Nunca saiu tanto peixe assim daquele mar. Nunca!Pedro conseguirá vender todos estes peixes; pagar todas as suas contas em dinheiro sem precisar trabalhar o resto do ano! Enfim, umas férias bem merecidas!
(Pedro volta correndo, eufórico, sorrindo, mas muito envergonhado! Ele se ajoelha em frente do Nazareno e diz rindo e com lágrimas nos olhos).
- Mestre afasta-se de mim porque sou um homem pecador!
- Não Pedro! É justamente o contrário, o que eu queria falar com você é justamente isso! Quero que você me siga, pois vou fazer de você um pescador de homens e mulheres para o meu reino.
Siga-me...

“Quem eu era antes de conhecê-Lo”

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