quarta-feira, 18 de maio de 2011

Solidão


Ela faz bem, ou faz mal?


As vezes ela é necessária.


Outras vezes ela é temida, evitada.


Deus faz uso dela muitas vezes.


É o único meio de podermos ouvir Sua voz.


Ela pode ser provocada, ser criada, ser buscada.

Existem níveis de solidão.

A pior, é aquela que se experimenta no íntimo, no fundo da alma, sintoma do abandono,da rejeição, do desprezo.


Muitas vezes ela é companheira da saudade. Neste nível, ela machuca, amarga no peito, torna-se inimiga com ares zombeteiros.

Junto com a saudade, ela envenena a alma.
A sua presença torna-se intensa e perceptível junto com o silêncio. 

Neste caso voce pode até sentir a presença da Solidão.

As vezes ela torna-se sua única companheira.

Nestes momentos ela é a única que sente e ouve as batidas de seu coração. Ouve sua voz, seu choro, vê suas lágrimas, contempla a sua miséria.

Os teus sentimentos mais íntimos tornam-se espetáculos para a Solidão. 

Outras vezes ela se torna teimosa em querer se afastar de voce, ela te acompanha para os lugares mais incoerentes possiveis de se estar. 

Ela fica com voce até mesmo no meio da multidão, na roda de amigos, em meio ao movimento das pessoas, até na mesa na hora da refeição. 

Ela permanece silenciosamente ao teu lado. 

E voce a vê, voce a sente, voce a percebe.


Mas tem uma coisa que ela não suporta. 

Já observei uma coisa.

A Solidão tem medo de criança. 

A presença de uma criança pode afugentá-la. Elas não se dão bem. 
Não combinam.

Voce já ouviu uma criança reclamar de Solidão? É coisa rara, acho que não existe. 
E sabe por quê?
Solidão é coisa de gente grande!


Reinaldo de Almeida

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