sábado, 23 de março de 2013

Que confusão!


Diante de tanta esquisitice que temos presenciado no mundo evangélico, sejam eles, fundamentalistas (acreditem se quiserem: Batistas, Presbiterianos, Anglicanos...como por exemplo, o movimento de células, casamentos e ordenações pastorais de gays, predestinação e eleição calvinista fatalista, e por aí vai...), pentecostais e neopentecostais com as suas mais variadas loucuras e bizarrices, em demonstrações de ritos, mantras, mandingas e badulaques usados "em nome de Jesus" nessas igrejas de macumbas brancas; temos também a sórdida ganância financeira e política pelos pastores televisivos, muitos deles se envolvendo em questões polêmicas, como a questão do aborto, casamentos de homossexuais e outros assuntos condizentes com fórum jurídico e cível da sociedade, questões essas, que não dizem respeito ao Evangelho e nem a missão da Igreja no mundo.

É óbvio que a maioria do crentes discordarão dessa omissão da Igreja em defesa dos valores "cristãos" numa sociedade pós-moderna.

Mas temos que entender que o mundo em que Jesus viveu não era cristão! Era pagão, polígamo, politeísta e com valores pervertidos e perversos, como por exemplo, as arenas dos gladiadores e as festas e os bacanais romanos e gregos, populares e palacianos, e que numa outra ponta da sociedade estava a religião judaica com o seu zelo ritualístico, cerimonial do templo e nas sinagogas e com seus ritos e performances sagradas e sua moralidade ilibada.

Jesus viveu incólume a tudo isso!
Sua mensagem central era o Reino de Deus que passava essencialmente pela Cruz!  

Seus discípulos, assim como nos dias de hoje, tiveram imensa dificuldade de se libertar do "fermento de Herodes", disputas pelo poder político da Judeia, que envolvia o templo e do "fermento dos escribas e fariseus", como por exemplo a imposição religiosa e sagrada naquela sociedade imoral. Observe com atenção que as igrejas nos dias de hoje estão envolvidas com os mesmos conteúdos problemáticos daqueles dias!

O cristianismo brasileiro é formado de quatro ingredientes distintos e que se misturam numa combinação de doidices e teologias aparentemente lógicas e de cumplicidade bíblica. Esse elementos culturais religiosos são em sua matriz: o catolicismo medieval português,  a pajelança indígena sul-americana, os deuses africanos trazidos pelos nossos irmãos negros africanos e finalmente o puritanismo pentecostal e fundamentalista protestante anglo-americano. É claro que muitos cultos, ritos, filosofias orientais, espíritas kardecistas intelectuais, teologias smithianas e russelianas e outros se juntaram a tudo isso!

Temos então diante dos nossos olhos e de nossas crenças esses elementos culturais com raízes profundas em nossas almas!

Além de tudo isso, vemos o pessoal "sério" e "bereano" defendendo a Bíblia e suas leis do Antigo Testamento com unhas e dentes; isso sem falar de uma quantidade enorme de elementos judaizantes incorporando diversos cultos pentecostais em  cerimônias e altares, com bandeira de Israel, menoráh, shofar, arca da aliança e tudo mais em solo brasileiro!

A questão é: onde ficam os ensinamentos de Jesus? Suas advertências a não absorver o "fermento" dos fariseus e herodianos? Seus discípulos atrelados a uma Nova Aliança em seu Sangue? Seus dois únicos mandamentos? Sua simplicidade de vida sem "cultos e cerimonias"? Seu talmidim?

Parece que o Evangelho simples de Jesus só foi percebido e absorvido por poucos que conseguem desatrelá-los de todos esses elementos culturais, religiosos, pagãos, políticos e filosóficos de nossa e daquela época!

Reinaldo de Almeida

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