terça-feira, 1 de abril de 2008

Arrependimento é penitência?

De onde herdamos a idéia de que arrependimento é penitência?

O arrependimento ensinado pelo mundo evangélico é a mesma penitência ensinada pela Igreja católica romana! O sentido é o mesmo.

Quando você "peca" nos é ensinado que devemos nos arrepender, até aí tudo bem.
Em que implica este ato de arrependimendo segundo a doutrina da igreja evangélica?
Neste contexto de cometer "pecado", dependendo do tipo de delito que você cometeu será "estudado" que tipo de "disciplina" você deverá receber, desde a conversa de portas fechadas no escritório pastoral, passando pela "assembléia da Igreja", até o ato público de "EXCLUSÃO".

Caso você admita que errou, então o fato de você "encarar" a vergonha em que será exposto dará início a sua penitência evangélica (que é um tipo de carma cristão), pois toda a vergonha que você enfrentará e também a "coragem de encarar" a comunidade cristã" dará a você (lá no seu íntimo) a idéia de que você está "pagando pelo que fez"(interessante: pois esta situação subentende que seu pecado Jesus NÃO pagou na cruz). Esta humilhação imposta pela igreja será como um ato de auto flagelo da alma que você terá que suportar.

Pois bem, cria-se a idéia de mérito (justiça própria), afinal de contas você está pagando pelo que fez.

Onde foi parar a justiça de Cristo na cruz?

Bem, a liderança não vai admitir isso, dirão que é um ato de "disciplina", mas a intenção é que você "pague" pelo que fêz, assim sua vergonha servirá de exemplo para que os outros tambem não saiam da "linha" como você saiu!

Quando voce "peca", o que é que a Igreja católica nos ensina a fazer? A princípio deve se procurar a "igreja" e ir no "confissionário" segredar ao padre os delitos praticados. Ele vai te ouvir, dar algum conselho e depois te entregará uma penitência, tipo rezar, não sei quantas vezes a Ave Maria, o Pai Nosso, porque a quantidade de vezes vai depender do "tamanho do pecado que você cometeu".
Quanto maior o pecado maior será a sua penitência. Há aí uma idéia de "categorizar" entre pecadinhos e pecadões.
Na Idade Média a penitência tinha uma aplicação mais dolorosa, no caso, autoflagelar-se, tipo: andar de joelhos até sangrar, chicotear-se a si memso, pagar um indulgência, carregar cruz...

No caso da cultura evangélica o ato de arrependimento implica que, estando "em pecado" e neste caso a salvação do sujeito já "evaporou", caso ele não se arrependa de maneira acima citada, então segue um período de profunda tristeza e uma declaração bem convicta de que não irá "pecar" novamente. Por um tempo ele mantém a promessa, mas de repente, ele "cai" de novo. Então se repete este ciclo de arrependimento, tristeza e promessa dezenas de vezes até que ele tem duas opções: Ele se "desvia" por que desiste e se acha um perdido sem salvação, ou ele se torna um resignado, um cínico ou um zeloso hipócrita dentro da comunidade cristã.

Sei que pareço estar fazendo apologia ao pecado.
Mas, é muito pelo contrário. Este tipo de mecanismo espiritual, psicólogico e emocional jamais trará libertação do pecado. Pelo contrário, só o fortalece.
Pecado, tristeza, culpa, condenação, arrependimento e promessa de não pecar; este ciclo maligno adubado entre nós.

A "salvação" dele vai e volta, vai e volta, vai volta. Pois se baseia no que ele está fazendo. Perde e recupera, perde e recupera.
Que salvação é esta? Em que ela se baseia? Ela é tão frágil assim?

O que está faltando aí é carência de conhecimento da Graça de Jesus conforme apresentado por Paulo no Evangelho.
Para entender a extensão e a profundidade de nossa Salvação e da Graça libertadora de Jesus Cristo é necessário entender a natureza do pecado e como foi ele tratado por Jesus no ato da expiação no Calvário.

Só que infelizmente no mundo religioso, católico, espírita e evangélico esse entendimento está ausente.

A leitura da Bíblia dentro do sistema religioso vigente, condicionou o ato de arrependimento à uma penitência que não liberta do pecado. O entendimento do cristão contemporâneo tornou-se refém da Ética, da Moral e dos interesses da liderança religiosa "cristã".

Há que se voltar à uma reeleitura das Escrituras sem os óculos da maioria das organizações eclesiáticas que proliferam por aí até mesmo as mais antigas e famosas entre nós!

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