quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Aquilo que é perfeito

Não sabemos o que é o amor perfeito, porque nunca o experimentamos.

Mesmo o amor de Deus, só sabemos que é perfeito, mas não conseguimos experimentá-lo em sua plenitude porque somos seres ambíguos e relativizados.

Estranhamos a Graça, porque a Graça é a manifestação concreta do amor de Deus. A Graça é a manifestação física do amor de Deus.

Num mundo imperfeito, habitado por homens imperfeitos, o perfeito amor de Deus nos gera estranheza e escândalo. O amor de Deus nos é alienígena. Por isso, a cruz de Cristo e ele crucificado é escândalo para os judeus e loucura para os pensadores gregos.

Aqui na terra nunca conseguiremos experimentar o amor perfeito de Deus (I Corintios 13:10), nossa natureza pecaminosa nos impede dessa dádiva. É porque avaliamos o amor perfeito de Deus segundo nossa maneira de imaginar o amor ou como pensamos no amor. Há algumas maneiras de comparação desse amor. Por exemplo, dizem que o amor de uma mãe está abaixo do amor de Deus e muito acima de muitos outros “amores”. Será? Todas as mães amam? As mães que amam, amam com amor perfeito?

Essa é uma versão poética e patética em relação ao amor de Deus. É apenas um meio de pensar o amor. Pode-se por aí incluir o amor de um amigo (como no caso de Davi), de um pai pelo filho, de um filho pelo pai, ao amor romântico entre um casal. São amores perfeitos? Obviamente que não!

Não só conseguimos amar de forma perfeita, como também, temos extrema dificuldade de acreditar e receber um amor legítimo de alguém, principalmente de Deus. Temos dificuldade de crer que podemos ser amados. Quando recebemos amor demais ficamos desconfiados. Amor puro nos insentam das dívidas e dos méritos.

Amor puro nos libertam das culpas.

Mas não conseguimos viver sem se sentir culpados. Amor perfeito nos libertam dos medos.

Mas não conseguimos viver sem medo.

Somos viciados em culpas, medos e preocupações. Há um mecanismo viciante em nós que desde a nossa infância nos condicionam a vivermos carregando essas entidades psicológicas e emocionais.

João diz: “ o perfeito amor lança fora o medo”. Porque o medo supõe castigo. Quem tem medo não está experimentando o amor e nem o amor está sendo aperfeiçoado nele.

Pense no filho pródigo na parábola contada por Jesus em Lucas, ele disse consigo mesmo: “não sou digno de ser chamado seu filho”. O amor desse filho não se baseava no amor, mas em méritos e dignidade, “não sou mais digno...”

Temos que se achar dignos pra receber o amor de Deus, o Pai?

Quando equacionamos o amor de Deus em termos de dignidade, relativizamos o amor de Deus.

O problema é que fazemos projeções do amor, segundo aquilo que carregamos como sendo amor, segundo nossas relações empíricas do amor. No entanto, nem conseguimos amar o próximo como a nós mesmos, e isso porque não conseguimos amar nem a nós mesmos segundo o amor de Deus que foi derramado em nossos corações, pois não acreditamos num amor assim...

Além disso, tentamos amar, contanto que o objeto de nosso amor não tenha muitas esquisitices, discrepâncias e diferenças radicais de nós.

Por isso, João diz que o amor de Deus vai se aperfeiçoando em nós na medida em que vamos compreendendo esse amor e na mesma medida que vamos praticando e experimentando na vida do nosso próximo. Segundo João, esse amor vai se aperfeiçoando.

Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor.

Ame e deixe-se amar.

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